As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Poema
Foto: Walmir PivaA mulher tem duas almas,
uma que chora, outra que ri:
a que ri chora sempre,
a que chora morre em todo entardecer,
quando a vida entardece.
uma que chora, outra que ri:
a que ri chora sempre,
a que chora morre em todo entardecer,
quando a vida entardece.
Tem duas almas: uma que esquece,
outra que foge sempre das igrejas
mas entre anjos permanece.
outra que foge sempre das igrejas
mas entre anjos permanece.
A mulher tem duas faces,
a que se mostra, a que se esconde:
na que se mostra ela se cala,
depois se guarda escondida
no retrato de uma sala.
Tem duas almas:
uma que fere, outra que é ferida,
a que se corta não se vê na que se fere,
a preferida.
uma que fere, outra que é ferida,
a que se corta não se vê na que se fere,
a preferida.
A mulher tem duas primaveras:
a que nasce sempre nas árvores
e a que lembra esquecimentos,
a que silencia o ser ausente,
a que floresce pressentimentos.
Tem duas vidas:
a que vive e adormece
e a que, adormecida,
na sua alma a vida tece.
a que vive e adormece
e a que, adormecida,
na sua alma a vida tece.
Poeta- Álvaro Alves de Faria
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