quarta-feira, 16 de março de 2011

Silêncio...

Ficará uma lacuna... um silêncio... Aquela que um dia aqui registrou, já não é mais a mesma. Libertou/se

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estabilidade X Liberdade




"Homens, flores, rancores, amores.
Você foi a bela adormecida, é a donzela decaída.
Sonhos, tolos, confundiram sua mente.
Até que ponto isso tudo
Pode te deixar doente
Você ainda é tão jovem...

... Estamos sofrendo, dessas doenças de alma.
Estamos amando em meio a uma grande guerra
Dançamos a valsa no meio da rua
Seguimos uivando pra rainha, a lua.

O sete é um numero místico, é um numero cíclico.
Dizem que de sete em sete pazes
Todas as coisas se transformam
Eu aguardo a mudança
Eu quero paz mental, estabilidade.
Por outro lado este amor me sugere liberdade"



As Doenças Da Alma
Júpiter Maçã

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"Construindo-me, precisamente. "



Ninguém Se Conhece a Si Mesmo


Julga que se conhece, se não se construir de algum modo?

E julga que eu posso conhecê-lo, se não o construir à minha maneira?

E julga que me pode conhecer, se não me construir à sua maneira?

Só podemos conhecer aquilo a que conseguimos dar forma.

Mas que conhecimento pode ser esse?

Não será essa forma a própria coisa?

Sim, tanto para mim como para si; mas não da mesma maneira para mim e para si: isso é tão verdade que eu não me reconheço na forma que você me dá, nem você se reconhece na forma que eu lhe dou; e a mesma coisa não é igual para todos e mesmo para cada um de nós pode mudar constantemente. E, contudo, não há outra realidade fora desta, a não ser na forma momentânea que conseguimos dar a nós mesmos, aos outros e às coisas.

A realidade que eu tenho para si está na forma que você me dá; mas é realidade para si, não é para mim. E, para mim mesmo, eu não tenho outra realidade senão na forma que consigo dar a mim próprio.

Como?

Construindo-me, precisamente.


Luigi Pirandello, in "Um, Ninguém e Cem Mil"

domingo, 30 de janeiro de 2011

Alguém Me Disse...

"Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz seus investimentos
...
Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco"
Composição: Carla Bruni / Léos Carax

Quelqu'un m'a dit

domingo, 16 de janeiro de 2011

Perdoados serão os teus remotos instintos súbitos, desde que me sirvas eternamente de teu mel

Elegia a uma pequena borboleta


Como chegavas do casulo,
— inacabada seda viva —
tuas antenas — fios soltos
da trama de que eras tecida,
e teus olhos, dois grãos da noite
de onde o teu mistério surgia,

como caíste sobre o mundo
inábil, na manhã tão clara,
sem mãe, sem guia, sem conselho,
e rolavas por uma escada
como papel, penugem, poeira,
com mais sonho e silêncio que asas,

minha mão tosca te agarrou
com uma dura, inocente culpa,
e é cinza de lua teu corpo,
meus dedos, sua sepultura.
Já desfeita e ainda palpitante,
expiras sem noção nenhuma.

Ó bordado do véu do dia,
transparente anêmona aérea!
não leves meu rosto contigo:
leva o pranto que te celebra,
no olho precário em que te acabas,
meu remorso ajoelhado leva!

Choro a tua forma violada,
miraculosa, alva, divina,
criatura de pólen, de aragem,
diáfana pétala da vida!
Choro ter pesado em teu corpo
que no estame não pesaria.

Choro esta humana insuficiência:
— a confusão dos nossos olhos
— o selvagem peso do gesto,
— cegueira — ignorância — remotos
instintos súbitos — violências
que o sonho e a graça prostram mortos

Pudesse a etéreos paraísos
ascender teu leve fantasma,
e meu coração penitente
ser a rosa desabrochada
para servir-te mel e aroma,
por toda a eternidade escrava!

E as lágrimas que por ti choro
fossem o orvalho desses campos,
— os espelhos que refletissem
— vôo e silêncio — os teus encantos,
com a ternura humilde e o remorso
dos meus desacertos humanos!




De: MEIRELES, Cecília. “Retrato natural”. In: Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Procurando se encontrar...


"Às vezes me sinto perdida,
não sei que rumo tomar,
são entraves que sempre encontro
ao longo do caminhar.
não sei se ando ou se paro,
não sei se grito se calo.
não sei se ignoro ou se atendo,
se protesto ou se defendo.
não sei se afasto ou se abraço,
não sei se construo se desfaço.
meio perdida na confusão do mundo,
meio perdida na confusão de mim ,
meio perdida na confusão de tudo ,
meio perdida na confusão sem fim."
Procurando encontrar...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Para 2011...


... escolho o desejo de não sofrer.


Procuro-te

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

... a fim de te lembrar


"Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Tu és responsável pela rosa..."


"- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."


O PRINCIPEZINHO - LE PETIT PRINCE - SAINT EXUPERY

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Buscando o equilíbrio

Quando voltei da praia, estava chovendo. Foi a primeira vez que andei de bicicleta na chuva. E foi uma sensação muito boa, porque estava muuuito calor.

Como a chuva era forte, rapidinho molhou toda minha roupa que ficou grudada ao corpo.
Corpo quente, chuva fria... no calor. Hummm... uma delícia.
Quanto mais molhada a roupa, mais gostoso ficava. E eu super feliz... Passando por ruas tranquilas, e trechos da ciclovia onde não havia ninguém, fui pedalando de boca aberta e língua de fora para matar a sede com os pingos d`água... Gostoso isso também.

Com as sensações misturadas e a alegria da liberdade, fiz uma coisa que sempre tive vontade... Soltar as mãos.
Eu nem tenho equilíbrio, mas a chuva forte, parecia que me segurava na bicicleta. A roupa molhada me agarrava dando proteção ao corpo... Então fui tentando soltar aos poucos... Dominando a ansiedade, enfrentando o medo... Desafiando a minha coragem.
Refleti sobre a necessidade de um "amigo", que se estivesse por perto, torcendo por minhas superações e sorrindo para mim, eu poderia soltar-me sem medos, fortalecida por compartilhar minhas conquistas e confiando que se por acaso eu caísse, teria alguém especial para cuidar de mim. rs




domingo, 19 de dezembro de 2010

Amores de Vênus



A chegada de Vênus vi@ Universo Natural

"A vida deveria ser como uma obra de arte, onde a alma é o artista, a personalidade a argila. Através da ação energética de suas mãos, de sua força, a alma deveria moldar a argila à sua imagem e semelhança para que pudesse surgir à consciência de todos os homens. A alma é o verdadeiro Anjo, o Filho da Luz, do Sagrado e do Divino."

A DIFÍCIL ARTE DE VIVER - Henrique Rosa

O Sr do Universo


De que mesmo és composto?
Seria apenas o teu núcleo denso, carregado por elementos bem mais que pesados?
Tua atmosfera, tuas diversas faixas... latitudes...
Tuas turbulências e tempestades...
Brilhas tanto... Mas ainda há o Sol, a Lua e a "Deusa do Amor", que curiosamente é tua filha, e possui magnitude absoluta. Apesar de imaginares que seja só aparente, uma simples capacidade em refletir brilho, assim como tantas outras estrelas nesta constelação.
Tua Vênus é capaz de lançar sombras... estar presente noite e dia.
E Ainda que de densa atmosfera, é a tua "menina", a Estrela do Pastor.

... em órbita.

Porque tem dores, que nunca chegam ao fim...


Príncipe:

Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
Ah era de noite
e de súbito tudo era apenas
lábios pálpebras intumescências
cobrindo o corpo de flutuantes volteios
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava-te pensando
e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.

São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desejo...

... para todos e principalmente para mim:

"Que uma seiva como a da alfazema, a luz do Sol, a beleza das flores e o canto dos pássaros, o amor bem feito, sejam os seus vizinhos, convidados a entrar todos os dias em sua morada, por menor que seja o espaço dela, ou sendo apenas o seu próprio corpo, sem teto, sem terra, sem lenço, sem documento. Anárquico, mas com as janelas abertas. Para que nenhuma clausura se justifique, a não ser na sua renovação, na meditação, e na procura por trilhas." Marli Gonçalves

Ainda na clausura medito... Renovando, aprendendo e crescendo... No amor e na dor.

A película do orgulho

Porque não são apenas os kms que separam as pessoas...
Barreira ou proteçao?